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Ciclotur São Pualo e Rio – Etapa 5 – De Paraty a Cunha e a viagem começa a chegar ao fim.

Em Paraty fizemos outra mudança de planos e ficamos por lá por mais um dia. Precisávamos descansar e nos preparar para a subida. Para quem não sabe a estrada que liga Paraty a Cunha é pequena e as cidades são separadas por cerca de 45 km. O problema é que esta estrada corta o parque da Serra da Bocaina e por isso tem 10 Km de estrada de terra muito ruins. Dessa forma saímos de Paraty às 9:00 e chegamos as 18:00 em Cunha.

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Mirante na subida! Vista linda!

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Pássaros muito de perto!

A estrada é linda com mirantes maravilhosos e em alguns pontos pode-se apreciar a fauna e a flora de formas ímpares. É un esforço tremendo, ainda mais com carga. Mas garanto: vale cada esforço. Para os mais receosos dessa subida existe a opção de vir de Cunha para Paraty pelo mesmo caminho. Mas tem-se que tomar cuidado para não se empolgar com a descida e deixar as maravilhas naturais de lado! No meio da subida há uma pequena choupana onde funciona um bar. Não acredito que este bar tenha muitos clientes, já que o trânsito na estrada é pequeno. Mas foi um ótimo ponto para fotografarmos uns animais! Haviam dois esquilos se alimentando e uma família de pássaros verdes parecidos com mini papagaios, que conseguimos fotografar de muito perto. A parada foi muito boa e seguimos viagem. Ainda tínhamos mais uns 6 km até o asfalto. Pedalamos bastante e parecia que este asfalto não chegava nunca. No meio do caminho encontramos três funcionários do DER-RJ que estavam fazendo análise topográfica da estrada. Devem estar trabalhando para o futuro asfaltamento da estrada. Asfaltamento que o pessoal diz em Cunha que é prometido a mais de 10 anos! Bom nessa parada nós fomos informados que faltavam 4.5 Km para o asfalto e o fim das subidas. Pedalamos por 5 km e finalmente chegamos ao asfalto. Dali eram muitas descidas e umas subidinhas pequenas até a Pousada Candeias, onde ficaríamos hospedados.

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Serras lindas!

Chegamos ao km 58,5 da etrada onde deveríamos sair para chegar a pousada. Teríamos 1 km de terra até a pousada. Já eram quase 18:00 quando uma 4×4 passou ao nosso lado e nos perguntou se estávamos cansados. O homem era o senhor Toninho proprietário da pousada. Ele nos explicou que estávamos a menos de 300 metros da pousada mas que depois de entrarmos na propriedade teríamos uma subida grande. Realmente a subida era íngreme e enorme. Por um momento pensei se eu não teria escolhido a pousada errada. A verdade é que subi pedalando e lá em cima ele me ofereceu para descermos de pick-up e resgatar a Eliane. Resgatamos a Eliane e fomos apresentados ao nosso chalé. Um chalé um pouco mais ao alto na pousada, com uma lareira e muito aconchegante! Comecei a gostar da coisa. Seria uma lugar para desconectar de tudo, principalmente pois aqui não pega celular! Para completar seriamos recebidos por um jantar de cremes e caldos que iriam cair redondinho com o frio e com o esforço que nos havíamos feito!

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Voltando ao estado de São Paulo!

Depois de uma banho magnifíco descansamos um pouco e fomos para o jantar. Fomos recebidos com um caldo verde ANIMAL e uma cesta de pães quentínhamos. Foi nessa hora que percebemos que peão é sempre peão e nossa fome era tanta que comemos uma panela quase inteira de caldo verde sozinhos. Somente eu e a Eliane. A Pousada Candeias é excelente, primeiro por aceitarem alterar o nosso check in tantas vezes. Fomos recebidos super bem pelo Toninho e pela sua esposa Kika. Fomos muito bem orientados com relação à subida, inclusive com as kilometragens exatas de terra e asfalto até chegarmos. O café da manhã é excelente com pães fresquinhos, geléias feitas pela própria Kika, manteiga de produção de um latícinio local, furtas fresquinhas e bolos fresquinhos feitos pela Kika também! Ótimo para recarregar as energias e começar um dia muito bem. A pousada fica distante de Cunha 13 km e é um local excelente para ficar isolado e curtindo o ócio. Clique aqui para ter mais informações sobre a pousada.

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Região serrana de Cunha!

Para chegar em Cunha temos umas subidinhas, mas fazê-las sem carga foi muito bom. A Kika inclusive nos ofereceu carona para a cidade quando fosse levar e buscar o filho do colégio, mas achamos que ia ser complicado ficar sem bike na cidade. Então resolvemos ir pedalando e de bike conhecer as inúmeras cerâmicas que fazem a fama da cidade! Cunha é uma cidade com área urbana minúscula mas com uma área gigantesca e belezas naturais incríveis! Realmente um lugar para ser visitado outras vezes e fazer várias trilhas e conhecer várias cachoeiras e pontos turísticos. Teremos que voltar aqui para ver a Pedra da Marcela, um lugar a 1800 metros de altura de onde em dias de tempo bom é possível ver Paraty e Angra dos Reis. Realmente um lugar lindo, mas que não pudemos visitar pois o tempo não estava ajudando!

Nossa viagem originalmente seria de seguir para Guaratinguetá e de lá passar poor Aparecida e Pindamonhangaba, mas resolvemos mudar. Descidimos que seria muito mais tranquilo seguirmos direto para Guará e de lá tomar um ônibus para Sampa e encerrarmos a nossa saga. Dessa forma amanhã deixamo Cunha com destino a Guaratinguetá chegando em Sampa a noitinha. Onde faremos um intermodal de Metrô e pedal para chegar em casa. Vai ser muito legal pois saímos de casa de bike e chegaremos em casa de bike! Muito show. É muito legal olhar para tudo o que fizemos e passamos desde que saímos e dá uma saudade boa. Olhamos as fotos de Salesóplis e Paranapiacaba nos primeiros dias de viagem e parece que está tudo tão lá atrás… Como noss país é lindo e cheio de potencial para turismo! Espero poder percorrer esta e outras rotas inúmeras outras vezes com a minha gatinha e os meus amigos. Definitivamente essa história de cicloturismos vicia!

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Mais um belo take da serra!

Pessoal, amanhã se der faço outro post sobre o fim da viagem e um balanço de tudo que fizemos.

Abraços,

Igor

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Ciclotur São Paulo e Rio – Etapa 4 – Ubatuba e Paraty

A viagem até Ubatuba foi muito tranquila e bonita, mas ao final do dia começamos a perceber que o tempo estava ficando nublado. Chegamos em Ubatuba já sob uma chuvinha leve e lembrando do apelido carinhoso da cidade (Ubachuva) começamos a achar que teríamos problemas no dia seguinte. Durante a noite fomos informado pelo Rubens, um dos proprietários do hostel nos informou que a previsão do tempo dizia que a frente fria era passageira e que no dia seguinte talvez já tivéssemos tempo bom. Mas ele também nos disse que seria legal ficarmos em Ubatuba mais um dia e ir para Paraty um dia depois. O único problema que teríamos com isso é que já tínhamos as reservas para as novas etapas feitas e inclusive pagas. De qualquer forma seria muito mais tranquilo viajarmos sem chuva então decidimos que dependendo de como estivesse o tempo no dia seguinte iríamos ligar nas pousadas de Paraty e Cunha para mudar nossas reservas. O dia amanheceu bem chuvoso e resolvemos adiar a saída. Como estamos em baixa temporada foi super tranquilo fazer as mudanças, não nos cobraram taxa nenhuma.

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Placa orientando o ciclista. Há varias dessas, algumas inclusive alertando o motorista para a nossa presença.

Dessa forma ficamos mais um dia em Ubatuba descansando e seguimos no dia seguinte para Paraty. Sábado passado (18/05) dia da nossa saída foi um dia bem chuvoso. Levantamos sem muita pressa, já que o trajeto até Paraty seria bem tranquilo, e às 8:00 da manhã o café foi servido. O café estava delicioso e o papo com a Bene ótimo. Com isso saímos quase 9:00 da manhã, mas com a vantagem de que a essa hora a chuva já tinha passado. O tempo estava bem nublado, mas estável, fazendo jus à previsão do INPE: nublado com chuvas isoladas. Saímos e ficamos muito impressionados mais uma vez com a quantidade de bicicletas da região. O que nos deixou mais impressionado também foi a quantidade de sinalizações alertando motoristas com relação à grande presença de bicicletas e pedestres. Também vimos muitas placas orientando os ciclistas a pedalar na mão de direção pelo acostamento, apesar de eu achar que o texto podia ser um pouco melhor.

Pedalamos num ritimo muito bom e já havíamos planejado parar na Praia da Fazenda por dois motivos: estava no meio do caminho e é parte do Parque da Serra do Mar. Outra vantagem dessa praia é que está muito próxima da pista, assim não teríamos que desviar muito nossa rota. Chegamos até a praia e a sensação de chegar à praia de bike é indescritível. Lembrar que saímos da porta da nossa casa de bike e chegamos até ali torna o momento mais indescritível ainda. Tiramos as sapatilhas e demos uma rápida caminhada pela praia. Rápida pois as chuvas isoladas começaram a dar o ar da graça com um vento forte. Enquanto estávamos nos calçando um cara veio falar com a gente, os alforges chamaram a sua atenção e ele, claro, veio nos perguntar de onde estávamos vindo. Seu nome era Marcelo e vinha de Niterói surfar com a família. Inclusive nos ofereceu uma de suas pranchas. Mas não rolava o tempo estava fechando e logo viria uma chuvinha boa. Foi o tempo certo de colocarmos as sapatilhas novamente e sairmos pedalando e quando chegamos à pista já estava chovendo bem. Paramos em um ponto de ônibus para esperar a chuva dar uma acalmada, lição aprendida com um holandês no Caminho de Santiago. A chuva depois de uns 20 minutos a chuva amansou e então nós partimos. Pedalamos em um ritimo bom com algumas paradas para fotos em pontos estratégico onde a vista da costa e suas ilhas era deslumbrante.

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Magrelas descansando na Praia da Fazenda.

Na divisa de estados de Rio e São Paulo há uma serrinha com umas boas subidinhas nesse ponto passamos a enfrentar uma boa chuva, mas não havia ponto coberto para que pudéssemos nos abrigar. Assim continuamos até que encontramos um ponto bem no alto. Junto ao ponto de ônibus havia um bar bem fulero chamado Bar da Divisa. A Eliane e sua fome indomável se dirigiu direto ao bar e lá encontramos um sujeito muito louco que ficou puxando papo com a gente. O cara já devia ter cheirado e fumado tudo o que tinha direito naquele dia, além de bebeido bastante cerveja. Seu nome: Caipira! O cara tinha várias tatuagens pelo corpo e ficou com aquela conversa de bêbado para o nosso lado o tempo todo. Foi bem divertido apesar de achar o cara um pouco perigoso. O cara tinha inúmeras tatuagens pelo corpo, uma hora mostrou a uma tattoo do Pica Pau e começou a imitar o Pica Pau cantando canções de ninar. Não entendia uma palavra do que o cara dizia, mas era realmente muito engraçado. O cara ainda me empurrou um artesanato que ele faz com cobre. Não queria o negócio, mas de qualquer forma não queria confusão. Aceitei o negócio, paguei os R$ 15,00 que ele pediu e vazamos.

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Pausa para foto da paisagem!

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Momento inusitado da viagem, foto com uma preguiça! Simpática, não?

A partir daí era só descida até a Paraty. Madamos ver mesmo debaixo de chuva só parando para uma foto na divisa de estado. O tempo começou a melhorar e a estrada também e começamos a render muito. Mas isso foi por pouco tempo: meu pneu furou e tivemos que parar. Paramos por uns 30 minutos para trocar o pneu e quando saímos a chuva tinha voltado. Que merda, podia ter chovido enquanto estávamos abrigados trocando o pneu e não quando saímos para a pista, né??? Não tinha mais onde nos abrigarmos, dessa forma combinamos de pedalar até onde achássemos um abrigo. E não demorou muito e ele apareceu: Tapioca da Jô. Uma banquinha na beira da pista muito pequena mas que serviria para nos abrigar. Era tão pequena que mau cabia eu a Eliane e as bikes junto com as duas meninas que já estavam lá saboreando uma tapioca. Apesar da simplicidade sentimos um clima muito bom no ar a Jô uma negra muito simpática, daquelas que tem o dom de cozinhar foi muito divertido e nos fez duas tapiocas de queijo quentinhas e deliciosas. Essas tapiocas aqueceram nosso coração. Ficamos ali de papo e a chuva deu uma leve aliviada, foi então que a Jô nos disse que não haveria mais nenhuma subida até Paraty então resolvemos sair com chuva mesmo e vazar. As meninas que estavam lá na barraca adicionaram que é comum chover na serra estar tempo muito bom em Paraty. Então socamos a bota sentido Paraty e isso se confirmou. Logo a chuva parou e rendemos muito até Paraty. Chegamos ao Hostel Che Lagarto muito rápido, fomos super bem recebidos e fomos ver o estado em que se encontravam nossas roupas. O estrago tinha sido pequeno, na grande maioria as roupas do alforge estavam no máximo úmidas. Mas as que nós vestíamos estavam ensopadas, incluindo as sapatilhas e meias. Nunca quis tanto uma papete com clip!

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Clássica foto na divisa!

O Che Lagarto é um hostel um pouco diferente dos outros que nós ficamos. É bem badalado, tinha um som tocando quando chegamos e isso nos deixou um pouco de orelha em pé. Mas o quarto é bem confortável contanto inclusive com ar condicionado. Nos ofereceram ficar para um churrasco, mas acabamos preferindo ir até a cidade. Estamos na época da Festa do Divino e seria muito bom conhecer a cidade neste clima. A cidade estava em clima de quermesse e foi muito bom comer comida e doces de quermesse. Também foi muito legal ver as danças típicas dos Senhores Cirandeiros. Voltamos para o hostel e estavam passando o som para começar uma música ao vivo. Ficamos preocupados se o som não iria atrapalhar nosso sono. Mas o final era uma banda de MPB que ficou tocando diversos clássicos de Vinicius, Tom e tantos outros. Foram vários sambinas que embalaram o nosso sono e nem percebemos quando a música havia acabado.

Resolvemos que não deveríamos seguir viagem hoje. Somente pernoitar em Paraty seria uma heresia então alteramos a nossa reserva em Cunha, para conhecermos a cidade numa boa. O tour pela cidade hoje foi muito bom. O centro histórico nos fez parar no tempo na época do Brasil colônia e do Império e isso foi muito bom. Agora é hora de empacotar as nossas coisas pois amanhão subiremos para Cunha! Será uma viagem puxada mas bem curta em distância. Depois ficaremos bem tranquilos em Cunha por uns dias antes de começar o nosso retorno.

Espero que vocês tenham gostado do relato dessa etapa e das fotos também.

Até a próxima,

Igor

Ciclotur São Paulo e Rio – Etapa 3 Estrada da Petrobras, Caraguá, Ubatuba e Mais Mudanças de Planos

Depois de um dia super especial visitando a nascente do Tietê e com a nossa primeira mudança de planos de ficar um dia a mais em Salesópolis, finalmente partimos para São Sebastião pela estrada da Petrobras. Saimos por volta das 7:30 da manhã e logo no início já tínhamos noção de que o dia seria bem puxado. A estrada começa asfaltada, mas logo se torna de um barro bem batido muito bom para pedalar. Mas não devemos nos deixar enganar por isso. Logo as subidas ficam bem complicadas, com bastantes sulcos de erosão e pedregulhos. A estrada se mantém assim por sua quase totalidade e é por conta disso que tivemos mais mudanças de planos, que relato mais a frente.

Subimos a estrada sem muitos problemas, apesar de as subidas serem difíceis a vista era linda e compensava bastante o esforço. Depois de bastante tempo e esforço chegamos ao ponto de descida e foi um longo trecho de descida onde rendemos muito. No caminho há uma ponte sobre um rio de água limpíssima. Paramos e reabastessemos nossos reservatórios de água. Aproveitamos para entrar na água geladíssima e deixar toda zica, mau olhado, olho gordo, inveja e qualquer coisa ruim naquelas águas! Foi realmente uma delícia, ficamos ali por mais ou menos 30 minutos, já que não podíamos enrolar muito pois estávamos correndo sério risco de pedalar de noite. Dessa forma quanto mais paradas, maior este risco. Dessa forma colocamos novamente as sapatilhas e saímos.

No caminho vimos mais cachoeiras lindas mas sem pausa para foto. Em outras condições eu tiraria fotos pedalando, mas a estrada exigia muita atenção e faltou coordenação motora para isso. O final da Estrada da Petrobras começou a ficar bem chato, tivemos uns 15 Km de sobe e desce ininterrupto por vias bem pedregosas e isso matou a gente. A única coisa que nos salvou foi que o GPS indicava ao final 3 picos, sendo que haviam apenas 2, dessa forma “garfamos” uma das subidas.

Terminamos a estrada da Petrobras já no escuro em com as lanternas acesas a todo vapor. Mas pedalávamos muito e nada de encontrar iluminação ou asfalto. Depois de muito custo chegamos ao asfalto e encontramos um barzinho. A Eliane parou ali e perguntou sobre as distâncias. Foi nessa hora que descobrimos que São Sebastião estava muito mais longe do que nós imaginávamos. Definitivamente fazer mais 28 km até São Sebastião depois de tudo o que tínhamos feito de esforço para descer não iria rolar. Resolvemos ir para Caraguatatuba e parar no primeiro hotel que encontrássemos. Cruzamos a ponte para o bairro de Porto Novo e logo em seguida vimos um hotel. Resolvemos parar por ali mesmo. O hotel chamava-se Cavalo Marinho e era um misto de hotel e motel. O pessoal foi super atencioso com a gente e ficamos ali para pernoitar. Dormimos uma noite excelente de descanso e pela manhã fomos para a praia. Mereciamos esses descanso depois de tanto esforço.

O Cavalo Marinho era um hotel simples e retirado da cidade. Então resolvemos buscar pela Internet um lugar melhor para ficar. Encontramos o Casagrande Hotel Pousada no centro de Caraguá. Ligamos para lá e fomos super bem orientados pela recepcionista. Então empacotamos nossas coisas e fomos direto para lá. O Casagrande era uma delícia. Um casarão com pé direito alto, de tijolos que deixava o ambiente muito fresco. A Giani, recepcionista, foi extremamente solícilita e nos ajudou indicando conde comer e providenciando onde levarmos nossas roupas para lavar. Definitivamente queríamos curtir a tarde e lavar roupa não estava nessa curitção!

Aqui entra a nossa nova mudança de planos. Depois de tanto esforço não estávamos mais com pique de ir para São Sebastião/Ilhabela. Nosso plano original seria fazer a trilha de Castelhanos, mas depois de tantas subidas resolvi que isso ficaria para uma outra vez. Dessa forma o tempo que passaríamos em Ilhabela resolvemos ficar em Caraguá descansando.

Depois do almoço aproveitei para fazer uma atualização ao blog e depois fomos para a praia. A praia do centro de Caraguá estava muito mais agradável que a do Porto Novo e ficamos ali curtindo o por do sol numa água tranquila. Definitivamente este foi um dia para recarregar todas as energias gastas na estrada da Petrobras.

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Nascer do sol em Caraguá. A natureza abençoando mais um dia de pedal!

No dia seguinte levantamos tranquilamente e fizemos tudo sem pressa. Como estávamos a apenas 43 Km de Ubatuba a viagem seria tranquila, e renderíamos bastante. Planejamos chegar a Ubatuba na hora do almoço e assim fizemos. Chegamos muito cedo ao hostel Aldeias. Deixamos ali nossas coisas e fomos visitar o projeto Tamar. O hostel é super simples mas muito aconchegante e o pessoal super acolhedor. A Bene e o Rubens nos receberam super bem deram dicas do que fazer e inclusive indicaram lugares baratos para comer por perto. Defitivamente um lugar para ficar quando voltarmos para cá um dia.

O que me deixou muito triste foi o estado em que a cidade de Ubatuba está. As ruas estão em condições horríveis, extremamente esburacadas e mau cuidadas. Em algumas ruas se percebe casarões enormes e novos numa rua literalmente de merda. A impressão que me dá é que aqui o dinheiro vem mas não fica. Hoje pela manhã durante o café em uma conversa com a Bene e outro hóspede descobri que Ubatuba é a cidade mais cara do Litoral Norte tudo aqui é absurdamente caro do IPTU ao preço da Zona Azul. Isso deixa claro que os problemas de Ubatuba são literalmente de má administração. A cidade está numa nova gestão e os moradores estão bem esperançosos. Vamos aguardar mais uns anos para ver o que acontece com a cidade. Mas comparando Ubatuba para Caraguá é nítido que Caraguá está anos luz à frente de Ubatuba no quesito infraestrutura.

Com relação à bike é claro que nessa região a bike é muito usada e em alguns lugares se pode ver cenas dignas de Holanda com trânsito intenso de bikes e falta de lugar para estacioná-las. Outro ponto importante é que praticamente todos os lugares (restaurantes, bares, supermercados etc..) tem paraciclos. São paraciclos simples mas que servem muito bem para os moradores da região. As bikes são na sua grande maioria muito simples e muitas nem possuem marcha. Mas marcha aqui não faz falta, tudo é plano por aqui e a marcha acaba se tornando apenas uma coisa a mais para dar problemas. As bikes aqui são os carros das pessoas e foi muito comum na pista encontrar mulheres pedalando com duas crianças na bike. Uma na garupa e outra na frente. Crianças que estavam claramente vindo da escola, com mochila nas costas. As pessoas dão caronas umas para as outras e pedalam falando ao celular com a maior naturalidade! Definitivamente uma realidade completamente diferente da nossa. Por conta disso a cidade está com uma infraestrutura cicloviária razoável que ajuda muito as pessoas.

O dia hoje amanheceu com chuva e resolvemos ficar por aqui mesmo curtindo o ócio literalmente! Amanhã partiremos para Paraty e depois Cunha. Esperem novas atualizações com relatos das nossas aventuras!

Igor

Ciclotur São Paulo e Rio – Etapa 2, Nascentes do Tietê e as Primeiras Mudanças de Planos

Os últimos dias foram bem conturbados, no bom sentido claro, e acabamos não tendo tempo de postar muita coisa. O que contribui também foi a falta de 3G em vários pontos da viagem. De qualquer forma a segunda etapa da nossa viagem saiu sem muitos problemas. Saímos de Paranapiacaba tranquilamente por uma trilha de terra bem pesada, até chegar no bairro do Taquarussú. As trilhas iniciais foram bem pesadas mas logo se tornaram estradas de terra batida, onte o pedal rendeu e muito. Segui a rota que eu tinha no GPS, mas como sempre foram necessárias algumas alterações. As alterações foram super positivas e acabamos chegando em uma via de asfalto junto a uma subestação de FURNAS. A partir daí fomos até Salesópolis por uma via asfaltada com trânsito moderado de veículos e com poucos problemas de imprudência dos motoristas. Para completar o dia estava muito fresco, o que fez o pedal render muito mais, apesar da nossa carga.

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Eliane empurrando nas pirambas de Paranapiacaba

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Bairro do Taquarusu

A região serrana é linda e a todo momento parávamos para tirar fotos e vislumbrar a paisagem, algo do outro mundo. Em alguns pontos parece que o tempo parou de vez. Antes de chegar a rodovia principal que daria acesso a Salesópolis passamos por uma estradinha vicinial asfaltada que passava pelo Bairro do Barroso. Um bairro minúsculo, no alto da serra onde paramos para nos reabastecer. Havia um mercadinho onde fizemos nossas compras e é nessa hora que vemos como os preços no interior são baixos! Compramos pão, miojo, queijo, manteiga, gatorade, água, biscoitos, chocolate e até uma Havaianna e a conta ficou em R$ 50,00. Com isso teríamos lanche para o dia todo de viagem e ainda mantimento para fazer umas boquinhas no dia seguinte. Saímos do mercadinho, fomos até a praça em frente e fizemos nosso piquenique: pão com queijo, Toddynho e algumas bolachas. Impossível não nos lembrarmos do caminho de Santiago e as inúmeras paradas desse tipo que nós fizemos. Isso só mostra, mais uma vez, que nós temos sim potencial para cicloturismo.

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Pista tranquila, pedal rendeu muito! Olha a felicidade da neguinha!

Saímos dessa vicinal e caímos na rodovia que liga Mogi das Cruzes a Salesópolis, outra rodovia tranquila, com alguns sobe e desces mas como o acostamento estava bom, fizemos esse trecho num ritimo muito bom e chegamos a Salesópolis por volta das 5:00 da tarde. Já tínhamos reserva no hostel Solar da Serra então nos informamos das direções e fomos direto para lá. Ao chegar no hostel fomos muitíssimo bem recebidos pela Ana e por sua assistente (também Ana). A Ana (proprietária) questinou de onde estávamos vindo e quais eram nossos destinos e foi aí que caímos em uma conversa sobre rotas culturais fantástica. Ela nos explicou que até Salesópolis nós havíamos feito parte da rota do Cambuci e que a partir de Salesópolis estaríamos fazendo a parte da Rota Dória.

Para quem não sabe o cambuci é uma fruta típica dessa região de serra que tem sabor muito adstringente e ao mesmo tempo resfrecante. Assim as cidades da região promovem a Rota Gastronômica do Cambuci para valorizar a cultura e o turismo na região. Já a Rota Dória era uma rota utilizada pelo comércio e transporte de escravos e tem sua origem em um padre que foi o criador da rota, que foi posteriormente usada pela Petrobras para construir a sua estrada. A conversa com a Ana foi muito empolgante e fiquei muito emocionado quando ela nos disse que achava que essa era a rota da dor (pelo comércio e transporte de escravos) e que hoje se transformou na rota do amor, com os turistas trafegando e para ver as belas paisagens e chegar a São Sebastião e Caraguatatuba. Ainda não sei tudo sobre esta Rota Doria, mas compramos por R$ 10,00 um livro na hospedaria e assim que eu tiver tempo de lê-lo postarei mais informações a respeito.

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Chegando em Salesopolis

A hospedaria é muito nova, tem um serviço excelente e apesar de ser um hostel (albergue) tem um qualidade absurda a um preço muito bom. Eles tem opções de acomodação em quarto coletivo com banheiro compartilhado e individual com banheiro reservado. Ficamos em um quarto de casal, com banheiro e um excelente conforto. A hospedaria conta também com uma cozinha comunitária. Realmente é uma opção barata para hospedagem e com um conforto e hospitalidade sem igual. A Anas inclusive nos ajudaram emprestando a máquina para lavar as nossas roupas e não cobraram nada por isso! Para quem quiser conhecer segue o link do site da hospedaria: http://www.salesopolishostel.com.br/. Salesóplis tem muitas atrações e definitivamente ficaremos aqui mais vezes!

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Finalmente Salesopolis!

Desde que comecei a planejar esta viagem eu achei que deveria conhecer as nascentes do Tietê, assim nossa idéia era conhecer as nascentes, e em seguida descer a estrada da Petrobras. Tudo certo? Não! Menosprezamos as subidas da região e principalmente não fomos orientados por ciclistas. As pessoas que não pedalam tendem a achar que a gente vai muito mais rápido do que realmente vamos, e com isso o desvio para as nascentes que seria rápido, durou quase que a manhã toda. Isso nos fez resolver ficar por Salesópolis mais um dia e descer a estrada da Petrobras no dia seguinte.

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Essa foto não poderia faltar!

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Quase no parque das nascentes!

O caminho até as nascentes foi muito duro, mas cheio de experiências boas. Em uma das subidas eu estava esperando a Eliane chegar quando um senhore veio descendo num Corcel antigo e parou para que sua esposa conversasse com a moradora da casinha em frente. Em quanto as duas proseavam ele puxou papo com a gente e viemos a descobrir um senhor muito divertido, cheio de história de vida e que apesar de ser aposentado e viver em Salesópolis ele trabalha na avenida onde moramos. Pode uma coincidência dessas? A conversa foi tão agradável que tiramos uma foto com ele. Seu nome era Esperidião, mas todos o chamam de Galego. Mais a frente quando estávamos quase chegando no parque das nascentes encontramos uma construção e tres operários trabalhando. Em quanto eu esperava a Eliane chegar da subida eles começaram a puxar conversa. Um trio muito divertido, que estava vivendo ali na construção. A construção em questão é uma obra do estado para criação de um museu e uma cafeteria junto ao Parque das Nascentes. Eles foram tão simpáticos que nos disseram que se eles tivessem um colchão poderíamos dormir ali com eles e seguir viagem no dia seguinte. Nessa hora, eu realmente me arrependi de não ter trazido uma barraca ou pelo menos nossos sacos de dormir. Passar a noite ali com eles seria muito divertido e dormir junto as nascentes do Tietê seria algo revigorante.

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Seu Galego, gente muito boa!

Chegar até as nascentes do Tietê é, de verdade, uma sensação incrível. Chegar ali e ver aquele remanso, de onde brotam 5200 litros de água por hora e saber a merda que é quando chega em Sampa, é lindo e triste ao mesmo tempo. O parque das nascentes conta com um pequeno museu mostrando fotos antigas de São Paulo numa época em que se nadava e até haviam competições de regata no Tietê. Depois mostra fotos de todo o trajeto do Tietê até a sua foz no Rio Paraná. É lindo ver como o Tietê é um dos grandes responsáveis para que nosso estado seja um dos mais importantes e ricos do Brasil. Outra coisa do parque é que existem bebedouros onde se pode beber a água do Tietê. Em outra situação isso pareceria um absurdo, mas esfaziamos todas as nossas garrafinhas e a mochila de hidratação e enchemos com água do Tietê. Água gelada e pura que matou nossa sede no mesmo instante! Ao final de tudo isso não existia a menor possibilidade de seguirmos viagem, então resolvemos voltar para Salesópolis, ficar no hostel mais um dia e seguir viagem no dia seguinte.

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Agora sim! Quase nas nascentes!!!!

Chegamos a Salesópolis fizemos uma ótima janta na cozinha da hospedaria e fomos dormir. No dia seguinte desceríamos a Estrada da Petrobras, tudo indicava que seria uma descida que exigiria muito, mas não imaginava o quão difícil seria. Mas isso já é a terceira etapa da nossa viagem e fica para o próximo post.

Abraços a todos,

Igor

Áudio

Ciclotur São Paulo e Rio – Etapa 1

Finalmente conseguirei publicar alguma coisa sobre a viagem. Na verdade queria publicar algo na sexta antes de sairmos mas foram tantos problemas que acabou não sobrando tempo nenhum. Para se ter uma idéia às 8:00 da noite eu ainda estava voltando da bicicletaria com a bike. Problemas no parafuso do bagageiro fizeram a revisão durar bem mais do que o previsto. Eu já estava até cogitando de fazer a viagem com a bike do meu pai… O importante é que no final tudo deu certo e o nosso ciclotur no estilo holandês começou. Digo no estilo holandês pois saimos de casa pedalando, não pegamos ônibus nem carro para lugar nenhum!

Saímos no sábado as 6:30 da manhã e já na saída chamamos atenção de dois caras que estavam fazendo cooper. Nos perguntaram onde estávamos indo com tanta carga e quando dissemos que iríamos até Cunha, ficaram muito impressionados e contentes. Nos contaram que já tinha feito viagens semelhantes e que isso é muito legal! Nos desejaram sorte e seguimos rumo a ciclovia do Rio Pinheiros. Nossa idéia era fazer parte da rota Márcia Prado mas no lugar de subir na Imigrantes seguiríamos até a terceira balsa, para daí chegar até a rodovia Índio Tibiriça e de lá seguir para Paranapiacaba.

Tudo correu muito bem. Encontramos mais ciclistas pelo caminho que iriam descer para a praia e outros ciclistas que simplesmente ficam passeando pela região e depois voltam para Sampa. Nossa primeira parada foi em uma vendinha pouco antes da segunda balsa. Paramos ali pois a Eliane estava com muita fome. Nossa idéia era também parar na Padaria Comunitária onde foram doadas as bicicletas da Campanha Bicicletas de Natal, mas com a fome paramos ali mas com a condição de que pararíamos lá também. Essa primeira parada foi muito divertida, as bikes claro chamavam muita atenção, mas o mais divertido foi o filho da dona da venda que tirou fotos para a gente, dizendo que curtia Mamonas Assassinas. Fiquei curioso, já que ele era muito jovem e ele no mesmo momento foi correndo colocar seus MP3 para tocar!!! Como fazia tempo que não ouvia o Vira dos Mamonas!!! Foi uma sessão de nostalgia muito boa!!!

Seguimos nosso pedal, passamos a balsa e paramos na Padaria Comunitaria. Comi um pão doce de coco com uma sabor absurdo de infância! Que delicia!!! Recarregamos ali nossas energias e seguimos. Até a saída na Imigrantes a Rota Márcia Prado passa por um pequeno trecho asfaltado, é nesse trecho que deixamos a rota, e seguimos rumo a terceira balsa. A terceira balsa já está em uma região mais movimentada e barulhenta, ao sair já fomos recepcionado com um Funk em alto e bom tom. Que merda, como alguém consegue ouvir um troço desses??? Passamos por um trecho mais movimentado e urbanizado, mas logo a estradinha ficou mais calma de novo e seguimos até chegar no trevo para a Índio Tibiriçá. Daí foi tudo tranquilo até Paranapiacaba.

A estrada para Paranapiacaba é muito boa, mas a merda é o acostamento. Algum governante esperto resolveu colocar olhos de gato a cada 100 metros no asfalto, e isso ferra quem vai de bike. Realmente uma merda e nem sei direito o motivo desses olhos de gato. Se é para o pessoal não trafegar pelo acostamento ou para sinalizar na neblina, a verdade é que existem opções bem melhores que essas. Soma-se a isso os carros que trafegam a velocidades alucinantes. A velocidade limite é 80 Km/h (alta demais na minha opinião) e é comum ver pessoas bem acima desse limite, então pedalar junto aos carros é realmente perigoso. Seguimos então nosso ritmo leve, mirando entre os olhos de gato a cada 100 metros e chingando muito quando errávamos a pontaria!

Devido às diversas paradas e mais as esperas nas balsas, acabamos chegando bem tarde em Paranapiacaba. Para completar tivemos um pouo de dificuldade em encontrar a nossa pousada. Mas ao final deu tudo certo. A Pousada Jardim das Bromélias, onde ficamos, é bem simples mas bem confortável, o único problema foi o baheiro que estava em condições bem precárias. De qualquer forma estávamos muito cansados para brigar por coisa melhor e tudo o que queríamos era um banho quente, uma comida caseira e uma cama. Fomos direto para os restaurantes da vila, já que a pousada não possuía refeições. Entramos no primeiro que encontramos e fomos surpreendidos com uma comida DELICICIOSA. Infelizmente não lembro o nome do restaurante. Mas fica ao lado das linhas do trem como quem vem da parte baixa da cidade.

Comemos ali um prato de Crepe de Cambuci: crepe com massa de cambuci e recheio de carne de soja (um achado para nós vegetarianos), arroz e salada. Complementamos com uma porção de feijão e a refeição ficou completa!!! Era tudo que precisávamos: fibra, carboidrato e proteína! O restaurante tinha em suas mesas dois bonecos de papel maché muito inusitados, claro que eu não pude perder a oportunidade de tirar uma foto com o preto velho, que por sinal deixou a Eliane com medo!!!

A noite estava bem fria, assim voltamos correndo para a pousada, tomamos um banho trincando de quente e caímos na cama. Eram 9:25 e já estávamos dormindo! Tivemos um sono maravilhos e levantamos tranquilamente as 6:00 para empacotar tudo e sair. Nosso café da manhã foi no quarto mesmo, lanches que a Eliane tinha preparado com queijo e tomate. Estavam uma delícia e esses lanches nos trazem as lembranças de Santiago, quando fazíamos isso direto pelo caminho!!!

Espero que vocês tenham gostado desse relato, logo faço um post com o segundo dia de viagem!

Igor

Ferias 2 – Detalhes do Ciclotur por Rio e São Paulo

Férias chegando e agora estou com tempo para dar continuidade ao planejamento das minhas férias. Como eu já disse em um outro post nestas férias farei com a Eliane um ciclotur pelo Brasil. Quando publiquei o outro post eu ainda não tinha o roteiro exato, agora depois de um bom tempo sem poder planejar nada finalmente tive condições de finalizar o roteiro. E modéstia a parte acho qu ficou muito legal!

Saímos de férias no dia 11/Maio com destino a Paranapicaba. Serão cerca de 70 Km até lá. Nunca fiz uma rota até lá a partir daqui então fiz um roteiro interessante pelo Google Maps. Seguiremos pela ciclovia do Rio Pinheiros e de lá vamos seguir pelo caminho que seria a rota Márcia Prado. O importante aqui é que não entraremos na Imigrantes. Segundo o Google Maps seguiremos reto no ponto onde a rota cruza a Imigrantes e um tempo depois saíremos na rodovia Caminho do Mar. De lá seguiremos pela Índio Tibiriça até Paranapiacaba. Essa rota vai ser muito legal vai nos ajudar a chegar em Paranapiacaba sem ter que passar por trechos de rodovia.

Em Paranapiacaba iremos pernoitar em uma pousada e de lá seguiremos para Salesópolis. Serão mais cerca de 70 Km até lá. Seguiremos por estradas de terra em meio a Mata Atlântica numa região muito agradável. Em Salesópolis ficaremos em um Albergue e de lá seguiremos para São Sebastião. Nossa idéia e descer a serra pela Estrada da Petrobras. Chegando em São Sebastião nosso rumo será Ilhabela onde iremos pernoitar. A idéia é passar um dia em Ilhabela para fazer a trilha de Castelhanos e então curtir um pouco de praia. Para quem não conhece, a trilha de Castelhanos cruza a ilha e é uma trilha bem famosa entre jipeiros. Para chegar a Castelhanos só de moto, bike ou 4×4. O legal dessa trilha é que são pouco mais de 20 Km de ida e a altitude vai desde o nível do mar (0 mts) até 700 mts. Tudo em meio a área de Mata Atlântica, teóricamente preservada. Esse vai ser um pedal muito divertido já que a trilha de Castelhanos tem muitos atrativos legais. Além da altitude esta trilha tem rios e cachoeiras que vão prometer boas fotos! Nossa idéia é fazer a ida e a volto no mesmo dia, fazer mais um pernoite em Ilhabela e então seguir para Ubatuba, pela Rio – Santo mesmo.

O trajeto até Ubatuba promete render bem, já que seguiremos por regiões planas junto ao mar (claro, existem algumas exceções, mas tudo bem). A idéia é pedalar tranquilo, parar para alguns banhos no mar e pernoitar em Ubatuba em um albergue. Desde Ubatuba, seguiremos até Paraty e é aí que a as coisas vão ficar legais! De Paraty pretendemos subir a serra até Cunha, por um trecho da Estrada Real. Então a idéia é pernoitar em Paraty e no dia seguinte subir a serra rumo a Cunha. Para quem não sabe, Cunha é uma estância climática, cheia de hotéis e pousadas junto à serra. Nossa idéia é chegando aí ficar dois curtindo a região em uma pousada comendo comida típica da fazenda e pedalando para conhecer as belezas da região. Ficaremos por aí por duas noites e então seguiremos para São José do Barreiro.

Conheci São José do Barreiro quando participei do Audax de Queluz e fiquei apaixonado pela região. A cidadezinha fica junto a Estrada dos Tropeiros e tem uma natureza exuberante devido à Serra da Bocaina. A idéia é cruzar a Serra da Bocaina de bike e se hospedar em uma pousada na prórpia serra, distante uns 30 Km de São José do Barreiro. Nessa pousada, de novo ficaremos dois dias, curtindo a região e relaxando. Seguiremos então até Silveiras pela Estrada dos Tropeiros, onde faremos mais um pernoite.

Silveiras foi escolhida somente para o pernoite. Neste ponto da nossa aventura já estaremos voltando pretendemos terminar o pedal passando por duas cidades religiosas: Aparecidade e Pindamonhangaba. Aparecida pelo turismo religioso de Nossa Senhora e Pinda, por ser a sede dos Hare Krishna no Brasil. O plano é então somente dormir em Silveiras e no dia seguinte já rumar para a Aparecida, num pedal por asfalto de aproximademente 70 Km. De Aparecida a Pinda são cerca de 30 Km, então a nossa idéia é depois do pernoite em Aparecida, dar uma volta pela cidade e quem sabe visitar a basílica. Não sou católico, mas visitar um centro religioso desses não deixa de ser interessante. Como a distância até Pinda é pouca, podermos sair a tarde e chegaremos tranquilamente lá antes do anoitecer.

Em Pinda, poderemos dormir e no dia seguinte visitar Nova Gokula, a sede dos Hare Krishna. Depois desse turismo religioso, teremos duas opções: um pedalzinho leve até Taubaté e mais um busão ou pedalar até Sampa. Ainda estamos decidindo qual vai ser a opção escolhida Nem preciso dizer que opção eu prefiro, né??? Esta última opção não estava nos planos, mas ao ver que terminaríamos a viagem num sábado resolvi que seria interessante voltar pedalando e estou tentando convencer a patroa!!! Ainda tenho um tempinho para isso!!! Já fizemos isso uma vez, no encerramento do DBM e com certeza conseguiremos fazer de novo! Chegando em Sampa, a idéia é pegar um metrô e voltar para casa! Seria muito legal fazer como os holandeses: sair de casa de voltaremos para casa de bike numa viagem!

Ao contrário da minha primeira cicloviagem, onde não postamos nada no Facebook ou coisas afins, pois queríamos desconectar de tudo, nessas férias iremos manter o blog atualizado com tudo sobre a nossa aventura. Ainda estou tentando me entender com o YouTube para editar vídeos e postar uns videos legais do nosso progresso. Bom espero que todos possam curtir essa viagem com a gente, mesmo que seja a distância e quando voltarmos marcamos um pedal gastronômico para compartilhar as novidades!!!!

Abraços a todos e até mais!!!

Igor

Humildade é tudo…

Resolvi escrever este post com base na experiência que passei junto aos Biciperros este fim de semana. Como alguns devem saber, estou uma vez mais no México e sempre que venho para cá e tenho a oportunidade passar um fim de semana, trago a minha bicicleta. Domingo é dia de rodar com os Biciperros, se não sabem quem são e como os conheci leiam este post, que fiz numa das minhas viagens anteriores.

Os passeios com os Biciperros são muito divertidos, a galera é muito amiga e sempre tenho ótimas experiências. Além de serem pedais longos, na verdade mini viagens. Esse final de semana não foi diferente, muito divertido, apesar dos percalços que passei ao final do pedal. Antes de começar a falar dos problemas, vamos falar das coisas boas. Vi na página do grupo que seria um pedal até Juchitepec, pequena cidade já no Estado do México totalizando um total 135 km de distância percorrida total e chegando a uma elevação total de 2800 mts, mau sabia eu que isso seria muito, ainda mais para mim que fiquei a semana toda sem pedalar. Fiquei muito animado, quem me conhece sabe como adoro pedalar longas distancias, e fazer um passeio desses com os perros ia ser muito divertido. Ainda mais que as paisagens dessa altura ao redor da Cidade do México são maravilhosas!! Já fiz uma passeio parecido com eles a Cuernavaca e foi muito legal. A vista do vale quando se sai da Cidade do México é linda, então o pedal deste domingo prometia.

Saindo do DF

Saindo do DF

Paisage na subida: animal!

Paisage na subida: animal!

O primeiro problema que eu ia enfrentar era encontrar os Biciperros. Das outras vezes estava muito perto do seu ponto de encontro, mas agora estou mais ao centro do DF e por isso tive que planejar a rota com antecedência. Joguei a rota no GPS e no sábado durante o dia fui percorrer a rota para não ter surpresas. O trajeto foi tranquilo, então estava com tudo preparado para o passeio de domingo, certo? Errado! O meu domingo, me trouxe surpresas, apesar de começar bem, com a Eliane me mandando por e-mail a matéria em que eu saí na Folha sobre pedalar para o trabalho. Compartilhei a foto no face (claro, precisava fazer uma onda com esses meus 15 minutos de fama com a bike) e fui para a rua. Saí bem cedo do hotel e assim que chego ao Paseo de la Reforma, avenida por onde deveria passar, encontro tudo fechado para uma maratona ou algum evento do tipo! Não tinha como passar por lá! Era um mar de gente correndo! Comecei a procurar um outro caminho e para completar o meu GPS estava levando um tempo para ligar. Saí correndo feito um louco por uma rua que me parecia ir na direção certa e depois de um bom tempo o GPS ligou e só aí eu consegui achar minha rota com segurança até o Parque Hundido , nosso ponto de encontro. Cheguei com alguns minutos de atraso, pedalando muito forte mas eles ainda estavam ali esperando os retardatários! Ufa! Deu tudo certo para um pedal excelente.

Depois de algum tempo conversando o líder da “matilha” deu as direções que iríamos seguir, e saímos todos. Haviam dois caminhos, por Las Lomas que era com bastantes subidas e por Xochimilco que era mais plano. Claro que resolvi ir pela parte das subidas, e acho que foi isso que acabou me matando ao final. A Cidade do México está a uma altitude de cerca de 2300 metros então a altitude pode influenciar e muito no rendimento de esforços físicos. Para andar pela cidade nunca senti nenhum problema, seja a pé ou de bicicleta. Mas quando saímos para pedalar se sente mais a altitude, parece que se respira fundo mas não se sente o ar entrando aos pulmões. Como já tinha feito o passeio para Cuernavaca (que tinha uma altitude parecida) antes sem problemas, pensei que dessa vez não também não teria problemas. Ledo engano. O fato de eu não ter feito exercício nenhum devido ao trabalho durante a semana me fez sentir muito mais a altitude. E o ar seco só fez tudo piorar, e muito!

Descanso e pausa para foto da paisagem!

Descanso e pausa para foto da paisagem!

Ponto mais alto do pedal!

Ponto mais alto do pedal!

Fizemos o passeio até Juchitepec e foi tudo bem. Tive que parar duas vezes para descansar e hidratar ao longo das subidas, mas cheguei a Las Lomas, uma parada antes de Juchitepec, sem problemas. Chegando ali comprei um litro de água, descansei com os demais perros e desde aí descemos até Juchitepec. Uma descida deliciosa, por uma estrada bem conservada onde pudemos desenvolver uma ótima velocidade. Cheguei ao máximo de 58 Km/h na descida! Chegamos a Juchitepec e ficamos um bom tempo descansando, conversando e comendo. Na feira comprei frutas a preços absurdamente baratos e um canivete para deixar junto bolsa de selim. Fiz um ótimo negócio comprando um canivete que vinha com uma lanterna e um isqueiro numa peça só!!!! Não sei quanto tempo vai durar, mas tá valendo custou somente MX$ 100,00 (R$ 16,00). Ficamos um tempo conversando e tirando fotos e depois de quase uma hora de descanso (ou mais) voltamos. A volta foi por um caminho plano e sem muitas dificuldades mas comecei a sentir mais o meu corpo. Me sentia muito mais cansado que o normal, mas me sentia bem. O cansaço veio principalmente pois não consegui manter um bom ritmo. As ruas eram cheias de lombadas que uma hora fizeram um dos parafusos do meu bageiro se quebrarem. Então eu tinha que ir muito devagar nas lombadas, já que um dos lados do bagageiro estava solto. Esta falta de ritmo aliada a altitude e ao ar seco me fez desgastar cada vez mais.

Em certo ponto o grupo se separou. Uma parte seguiu pela pista e outra parte por Las Trajineras. As Trajineras são barquinhos que andam pela parte alagada de Xochimilco. Esses barquinhos fazem passeios turísticos ou simplesmente atravessam os braços de rio para encurtar os caminhos. Este caminho era mais curto e por isso segui por ele com mais quatro pessoas do grupo. Dentre estes do grupo estava Ethel uma mulher de seus 50 anos que fizemos muita amizade e viemos conversando a todo tempo. Em certo ponto estava muito cansado e me sentindo muito mal. Tive que parar para descansar pois estava me sentindo muito fraco. Avisei que eles podiam seguir e que eu pararia para descansar. Ethel decidiu ficar comigo, e fiquei muito agradecido por sua ajuda. Eu de verdade não tinha condições de pedalar. Quem me conhece sabe que isso é algo bem difícil de acontecer. Para falar a verdade nunca havia acontecido, não dessa forma tão avassaladora. Já fiquei bem cansado em pedais mas chegar ao ponto de me sentir fraco e tonto foi a primeira vez. Precisava beber alguma coisa e a única coisa que eu tinha era um resto de Gatorade quente. Comecei a beber e no mesmo instante senti muita ânsia e vomitei. Isso nunca me havia acontecido, nem mesmo no Audax de Queluz, que foi um desafio espartano de difícil. Mas olhando este episódio agora que tudo passou cheguei a conclusão de que não devemos subestimar nossos desafios, nem os mais pequenos. Por isso decidi este título para o post: é preciso ter humildade para admitir os limites. É preciso humildade para dizer: é, não foi dessa vez. Principalmente é preciso humildade para admitir: é, acho que exagerei. Eu não tinha mais condições de pedalar então acabei voltando para o hotel de taxi. O que eu mais queria era um banho quente e minha cama.

Cheguei ao hotel, pedi uma garrafa de água enorme e fui direto para o banho. Ainda estava muito mau então preferi não beber nada. Tinha medo de sentir ânsia de novo e queria que meu corpo relaxasse. Por isso preferi um banho quente antes de tudo. Saí do banho já me sentindo melhor, e de uma só vez tomei a garrafa de 1.5 litros quase inteira! Caí na cama e apaguei. Acordei mais tarde me sentindo muito melhor então tudo ficou claro: o ar seco contribuiu para eu desidratar, mesmo eu tenho tomado 2 litros de Gatorade e 1 de água durante o pedal e ainda comendo uma melancia na feira. Parece que não foi suficiente.

Quando vemos que a seleção brasileira chegando uma semana antes (ou as vezes até mais) em jogos em cidades altas como Lima, no Peru achamos um exagero, mas a verdade é que a altitude influencia o funcionamento do nosso corpo de uma maneira absurda e aí um esforço para o qual estamos acostumados pode se tornar impossível de ser feito. Por isso de novo, é necessário humildade para admitir: errei, não levei todos os pontos em conta e ponto. Mas o que me deixou mais feliz foi o carinho do grupo. Todos me dizem que já me pareço mexicano, que quando estou no grupo sou como um local e isso foi muito acolhedor, principalmente quando estamos longe de casa. Ao final do passeio o apoio da Ethel foi ótimo, até negociar com o taxi um preço melhor ela negociou. Me senti muito acolhido nessa hora. É muito bom poder contar com amigos sejam eles quem forem em um momento de dificuldade desses. Para finalizar eu deixo essa foto que tiramos juntos antes de voltarmos! Pelo sorriso da galera e pelo cão que se junto a gente para a foto dá para ter noção do clima de alegria e felicidade do grupo! Só tenho como agradecer a Deus por esta oportunidade!

Ótima foto com toda a galera reunida!!!!

Ótima foto com toda a galera reunida!!!!

Hoje já me sinto melhor e estou pronto para outra. Uma pena que não saio com os perros tão já, mas tudo bem logo volto para Sampa e vou pedalar com os Bicicreteiros em Sampa! Espero que este post estimule outras pessoas a se divertirem com a bike. Mas sempre com muito planejamento e cuidado!
Até a próxima cicloviagem.

Igor